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  • Foto do escritorEmily Bandeira

coração na mão

Atualizado: 15 de set. de 2023

Agora sim, a bagunça começou. Ou se encaminha para efetivamente começar. O fio passa a se desenrolar para tecer novas tramas. E ó eu aqui de novo, xaxando, blogzin.

Acabo de escrever o que considero a primeira versão de um plano de projeto de mestrado, vamos ver se o ELA vai me querer.


Foram tantas coisas desde que me encontrei com uma possível orientadora, desde que abriram os prazos do edital.


Essa semana, quis deixar esse link por aqui:



Porque achei esta aula do prof. Caetano um diálogo delicioso com as inquietações internas que possuo a respeito da carreira de tradução e os futuros tecnológicos. Porque já entendi, faz algum tempo, que não adianta resistir ao progresso das tecnologias de processamento de linguagem, muito pelo contrário, é preciso estar atenta a maneira como estas se desenvolvem para que a gente possa contribuir de maneira positiva nesse desdobramento.


Depois que descobri sobre um fundo filantrópico para tecnologias digitais feministas que se preocupa com o debate sobre justiça linguística (no início desse ano pude conversar com uma de suas trabalhadoras lá da Malásia sobre o assunto) sigo fantasiando por aqui. Fantasio com tecnologias de processamento de linguagens e tradutores automáticos que atuem sobre perspectivas inclusivas e de gênero e que possam se sustentar sobre diferentes éticas para além da capitalista. (sonhadoooura)


Depois de assistir a aula, continuei pensando um bocado sobre as ponderações do professor sobre as futuras "traduções artesanais", uma espécie de gourmetização/valorização do trabalho de tradução, suas possíveis consequências na disseminação (ou não) da literatura. Enfim, foi bom ouví-lo brincar de futurologias e deslumbrar algum encaminhamento para esse tipo de profissão.


Mas tão bom quanto escutar à aula foi ouví-lo responder as inquietações de uma jovem estudante lá da UERJ que parecia estar entrando por agora no mercado da tradução. Foi um lembrete, gentil –mas não tanto, de que isso não é carreira, não garante seguranças a ninguém, não existe férias, aposentadoria e nem estabilidade financeira. Coisas que eu já sabia (vim experimentando) mas que foi bom ver um dos melhores tradutores do país reiterar. Não me gerou novas perturbações, pelo contrário, apenas serviu de afirmação sobre as descobertas que tenho e feito e que ainda tenho de fazer sobre as outras arestas de minha vida profissional.


O que vai surgir a partir dos conhecimentos que busco sistematizar e implementar sobre justiça linguística? Ainda não sei.

Querer entrar no ELA de repente me fez voltar em tantas teorias, autoras e ideias que me atravessam há tantos anos. Voltei em Silvia, fui ler Rita Segato, descobri uma tal de Claudia Costa Lima, descobri Quijano, li um pouco de Dagnigno, Alvarez, tanta coisa bonita. A CLACSO, a Flacso, a Bolívia, a Argentina. Tudo no meio dessa meu novelo de lã e ideias. Vontade de se fazer vida, vontade de se fazer prática.


A prof. me convida para ajudá-la em uma aula sobre Feminismo decolonial para a graduação, na matéria – possivelmente, a mais linda de todas – de Gênero, Língua e Poder. Me alegro com a perspectiva. E agora que estudo e reuno coisas sobre as quais quero ler e escrever, me pergunto se existe mais nesse caminho para mim. Mas chego humilde, com os pés leves, pisando devagarinho. Por escolha pessoal e teimosia geral deixei a academia ocupando um lugar sempre meio de lado na minha vida, sempre presente mas nunca central. Terreno novo para explorar, então. Se me sinto animada para abrir essa porta, enfim, tenha certeza: tem a ver com as conversas instigantes que tenho tido com as professoras (que eu sequer havia visto antes!) neste último mês.


De lá para cá, foquei nisso. Hoje terei a segunda aula da matéria de Sociedade, Globalização e Cooperação Internacional que peguei como aluna especial do CEAM (sim, de vez em quando me meto nuns trem assim) e ontem tive que ouvir uma aula de arquitetura e design (mas que era 80% ciências sociais) sobre cooperação. E senti, lá no fundo da caixola, aquela sensação de quando ideias começam a se conectar. Uma parte do corpo já passa a perceber a relação intrínseca entre as coisas, mas a linguagem ainda não alcança. Calma, calma.


Ontem ouvi sobre cooperação e as coisas ressoaram nas epistemologias do sul e ressoaram na tradução. E eu escutei uma coceira no mundo das ideias. E eu pensei que tudo seria atribulado demais e eu não teria tempo de voltar aqui. Mas esse blog é campo exploratório e escrever é a melhor ferramenta de desenrolamento das ideias.




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