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Mais uma semana

  • Foto do escritor: Emily Bandeira
    Emily Bandeira
  • 17 de jul.
  • 4 min de leitura

Atualizado: há 8 horas

Normalmente chego a este blogzin com uma ideia mais ou menos feita do que quero falar.

Mas talvez hoje seja só sobre escrever alguma água mesmo (esse tipo de coisa também costuma ser bom para o futuro).


Registro meramente antropológico do cotidiano em elevadores alheios
Registro meramente antropológico do cotidiano em elevadores alheios

Então um pouco sobre a vida dessa semana e seus entrelaçamentos com a mágica das palavras – porque se estou bem, elas sempre estão aqui assim: me revirando todinha <3


  1. Essa semana tive 4 dias de interpretação online para um evento sobre cooperação estratégica entre Rússia e América Latina (os latinos dos trópicos e os latinos da neve, como chamaram).

    Foi doiderinha.

    Sempre me surpreendo quando me trazem novas perspectivas do jogo geopolítico, principalmente pensando nesse tabuleiro maior de forças entre potências hegemônicas e uma série de movimentos que são muito mais pensados do que o dia a dia nos permite enxergar (observar de longe e com calma o que o Trump gera em nosso mundo pode parecer tão nonsense quanto estrategicamente calculado).

    Queria muito ter opiniões mais bem formadas sobre tudo o que escutei ou sobre como essas informações sobre jogos de poderes se assentaram em minha cabeça. Na verdade não sei como se assentaram.


Verdade seja dita, entre discursos sobre o soft power estadounidense/russo e toda a manipulação de discursos sobre tecnologia, transição energética, estados democráticos, etc também estava completamente aqui:


Pensemos no Ch'ixi: Ficar viciada no Tiny Desk (propaganda imperialista de rádio estadounidense!!!) + RaiNao cantando musiquinha irônica anti-colonialista em defesa de Porto Rico = qual a soma final? (pensei muito essa semana sobre os significados desse movimento artístico cultural de resistência Borikén)

No mesmo primeiro dia de evento Rússia-América Latina depois tive o prazer de interpretar uma reunião para a empreitada maravilhosa de minha amiga https://jiboia.org/ de uma galera norte-americana que tava querendo entender como sobrevivemos ao Bolsonaro (Como conseguimos prendê-lo? Como nossas instituições não foram destruídas? Como servidores públicos continuaram a trabalhar sem se matar ou matar os coleguinhas?) o que me deixa ainda mais pensativa sobre toda a questão política internacional, e nosso papel como essa nação rica e doidinha tropical que somos.


Enfim.


A semana continua e eu estive definitivamente perdida demais em meus sentires escorrendo sem parar pelo caderno (acho que estou cada vez mais obsessiva com meus cadernos e sinceramente não pensei que isso fosse possível).


caderno junho - julho 2026
caderno junho - julho 2026

Culpo meus hormônios e um certo otimismo que finalmente me surgiu depois de algum tempo de tristezas inconscientes. Ainda assim os escritos são cobertos de qualidades paradoxais e devo estar adulta demais para lembrar que tudo é bom e ruim ao mesmo tempo. Mas me encanto em poder perder tanto tempo gastando papel e caneta (meu plano para o dia de hoje é ir atrás de um novo caderno porque esse definitivamente não chegará até o final da semana que vem).


E além de todo o kikikiki pelos cadernos também continuei minhas leituras sobre o tempo. Depois da leitura do livraço (escrever/falar "livraço" me faz me sentir como um homem heterotop hihi) "Os Imortais" da Paulinny Tort, eu entrei numas de pensar novamente na humanidade como espécie e suas evoluções.

Recomendo fortemente passar algum tempo entre os neandertais, é o tipo de coisa que pode te levar para uns caminhos/curiosidades fundamentais como a que estive:


"Como e quando os humanos começaram a pensar no tempo como o percebemos? Como é feita essa construção conceitual sobre o tempo?"


Eu fiquei pensativa de verdade. E conversei com minhas amigas e elas me recomendaram livros, amém. E assim inicio duas leituras capiciosas:


"Sobre o tempo" do Nobert Elias e "Em defesa do tempo" da Jenny Odell.

A Jenny é simpática e gosto de sua proposta sobre repensar nossas percepções sobre o tempo. Mas é definitivamente a visão sociológica e de teoria do conhecimento do Nobert que está me deixando embasbacada.

Talvez seja o caso de escrever sobre isso melhor depois, deixar uns enxertos aqui dos paralelos traçados entre os marcos civilizatórios profundos e invisíveis que são nossas noções de tempo e nossas línguas <3

(eu definitivamente deveria dedicar espaço desse blog depois a isso)


Mas aí, tendo começado DOIS livros sobre o tempo e estando no meio de outro livro sobre psicanálise, fico me enrolando totalmente antes de começar outro livro.

MÃS

que bom que não me deixei enrolar por muito e ontem comecei essa delicinha aqui:


minha lógica pessoal de leitura é que posso ler muitos livros ao mesmo tempo se eles forem de gênero diferentes: um romance, um de poesia, um de não-ficção, um quadrinho, etc
minha lógica pessoal de leitura é que posso ler muitos livros ao mesmo tempo se eles forem de gênero diferentes: um romance, um de poesia, um de não-ficção, um quadrinho, etc

Ter começado a ler esse livro no parque ontem foi um desses pequenos momentos de deleite total – sei nem explicar. Que delicioso ler essa mulher. Vejamos se vou terminar o livro amando-o tanto quanto comecei, mas pqp, até então: só elogios.


E poderia escrever mais dessa semana, coisas importantes, como poder ter trabalhado com interpretações que me importam (além do trampo pra jibóia e pro cicral, tive minha primeira interpretação para o Nebula Fund escutando sobre feminismos villeros da Argentina e ontem interpretei aula sobre sistemas de governo para a formação política da Katia Tapety que tenho interpretado pro Instituto Raça e Igualdade) <3


PERA


Talvez isso seja matéria digna de entrar aqui nesse blogzin: EU SOU A NOVA CONSULTORA DE TRADUÇÃO E INTERPRETAÇÃO DO NEBULA FUND. <3


Isso era o sonho de alguns anos atrás, ainda é o sonho de agora, só muito mais calmo, muito mais independente <3 mas é coisa bonita, de se celebrar nesse espaço (e no linkedin também kkkkkry)


o trabalho dos sonhos pode ser muito menos "aesthetics"do que se pensa rsrs mas não faz mal, a gente cria beleza ainda assim
o trabalho dos sonhos pode ser muito menos "aesthetics"do que se pensa rsrs mas não faz mal, a gente cria beleza ainda assim

Bem, a semana em palavras foi isso mesmo: as interpretações onlines, a leitura dos livros do tempo e do novo romance, a escrita obsessiva no caderno.


Fora as palavras: também tem meu corpo dançando e pulando corda, tem ansiedade para que minha irmã chegue logo, tem novos amores sobre/com o parque e o caminhar, tem a produção de um novo guiro para minhas futuras cumbias e latinidades, etc etc etc


Termino este texto meio sem pé nem cabeça com minha mini colheita da semana:


que bom que eu insisti no pé de tomate e ele insistiu em viver até aqui <3
que bom que eu insisti no pé de tomate e ele insistiu em viver até aqui <3

 
 
 

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© 2026 por emily bandeira

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