Práticas de Escrita Criativa no Ateliê Vespa
- Emily Bandeira
- 25 de mar.
- 3 min de leitura

A divulgação necessária:
A partir de abril de 2026 (mais precisamente no dia 16.04), teremos Práticas de Escrita Criativa, no Ateliê Vespa, na 205N.
Vamos nos juntar nessa salinha maravilhosa com nossos cadernos, papéis, canetas e mãos inquietas para escrever sem parar.
Nossa prática de Escrita Criativa não está destinada a levar a escrita à sério. O contrário. Nossa ideia é brincar, incessantemente, a partir de comandos, sugestões e dinâmicas, com nossa escrita. Soltar a mão, aquecer as ideias e às palavras. Uma prática para exercitar, trocar, fortalecer os músculos da mão, eventualmente descobrir quais mundos dentro de você podem querer se expressar.
Práticas de Escrita criativa para se juntar, mexer as mãos e a imaginação e criar. Sem tanto destino ou meta final que não seja: se divertir com as palavras.
Passar um tempo com caneta e papel.
Relembrar com carinho dos detalhes de sua caligrafia.
A primeira sessão do dia 16.04 será gratuita, portanto, basta chegar junto.
Estarei lá muito feliz para receber todos os cadernos que essa Brasília pode abrigar.

A História Completa
Em março de 2023, entro em um salão do centro de convenções, lotado com aproximadamente 60 pessoas, todas aguardando o início de uma oficina, todas (absolutamente todas) com caderno e caneta em mãos.
A oficina se chamava “La escritura sin fin”, facilitada por Juan Sklar, fundador da escola “El Cuaderno Azul”. Eu, em minha humilde e compulsiva obsessão por cadernos, tinha visto o nome da oficina na programação da Bienal do Livro de Buenos Aires e não pude deixar de me perceber seduzida pela proposta.
“Traga seu caderno e caneta” - eram as únicas instruções.
Será que algo poderia me chamar mais o coração?
Era meu último dia de Buenos Aires e esse foi o programa acertado para me despedir da cidade (cidade, que, diga-se de passagem, me entregou muito desejo de literatura, amém).
Antes dessa oficina, eu nunca tinha participado de nada similar: uma estrutura que permitiu que muitos adultos se juntassem para: escrever. Simplesmente escrever. Brincar de escrever.
Eu não sabia que queria tanto uma turminha assim.
Voltei pra casa um tanto estarrecida com a possibilidade de me juntar a outros humanos para brincar de escrever desse jeito.
--------------------------------------------------------- ******-------------------------------------------------------
Ao final de 2023, algo similar ocorreu (num grupo muito menor de humanos, éramos umas seis pessoas, em uma sala na reitoria da UnB) também em uma oficina, dessa vez sobre lambes e, dessa vez, administrada pela galera do Coletivo Transverso, aqui de Brasília. A proposta era simples, antes de iniciarmos os trabalhos que nos levariam a criação de lambes, precisávamos de uma espécie de aquecimento poético. E a escrita sabe fazer isso.
As meninas deram os comandos que envolviam nossa escrita e a cidade.
Achei uma delícia também.
(Teve escrita desse dia que inclusive entrou como poema no livro que será lançado esse ano <3)
--------------------------------------------------------- ******-------------------------------------------------------
Senti saudades disso. De escrever com outras pessoas. E quase da mesma maneira que sempre digo para as pessoas que topo me encontrar num bar qualquer para falar em inglês, espanhol ou francês, também digo às pessoas que topo me encontrar pra brincar de escrever, para criar novos comandos para a escrita livre, enfim, desbloquear as brincadeiras que surgem na escrita com a/o outra/o (Me chama! É sério!).
Em janeiro do ano passado, fui atrás da galera que tinha ministrado a oficina lá na Bienal.
O pessoal do El Cuaderno Azul é genial e oferece diversas turmas de escrita criativa. Resolvi fazer o curso de verão.
Me encontrei por algumas semanas com um bando de argentinas e argentinos para escrever sem parar por 3 horas, sob os comandos do nosso instrutor da escola <3
E, a cada atividade sugerida, a cada novo comando recebido, percebia como aquilo que me movia.
E mais, como queria levar aquilo para que outras pessoas se movessem também.
--------------------------------------------------------- ******-------------------------------------------------------
No passado, criei grupos de leitura coletiva, o finado projeto “panapaná”, onde eu juntava um monte de gente num canto em comum para ler juntos, normalmente com propostas entre pessoas-ambiente-dinâmicas que conversassem com os textos e livros que estávamos lendo. Foi uma boa experimentação.
Agora, quero brincar em coletivo novamente. Dessa vez, fazendo uma das únicas coisas que talvez eu ame ainda mais que ler: escrever.
Segundo as lógicas do coletivo transverso ou do caderninho azul, quero trazer brincadeiras de escrita para outras pessoas.
Namoro essa ideia há um tempo.
Coloco a ideia em prática oficialmente.
Mês que vem, serei instrutora de uma oficina de escrita criativa, no ateliê vespa, da 205 Norte, pela primeira vez. Esse será o primeiro encontro do que espero que se tornem muitos (o plano é que tenhamos práticas quinzenais no espaço) <3
Agora preciso espalhar a palavra. Para que quem goste de brincar com as palavras possa chegar até lá, e, juntas, possamos descobrir novas risadinhas e instigas que nascem desse encontro entre pessoas, papéis, canetas e mãos inquietas.
Bora Bora.
.png)


Comentários